Costa Senna

Costa Senna

Costa Senna é uma referência importante para o cordel brasileiro: é um dos poetas pioneiros em utilizar temas ligados à educação na literatura de cordel. Além de cordelista, é ator, cantor, compositor e humorista. Entre as suas obras,  escreveu O doido, Viagem ao centro da Terra (adaptação do clássico de Júlio Verne), Jesus brasileiro (em parceria com Marco Haurélio), Raul Seixas entre Deus e o Diabo, A maldita ilusão, As lágrimas de Lampião, etc. Tem gravados os discos Moço das estrelas, Costa Senna em cena e Fábrica de unir versos.

Chegou a São Paulo em 1990, diretamente de Fortaleza-CE. Na bagagem, trouxe as influências de Luiz Gonzaga, Raul Seixas, Belchior, Alceu Valença, e também do rap urbano e do repente. Após uma apresentação que contou com declamação de cordel, cantorias e trava-línguas, feita para estudantes com cerca de 8 anos de idade, da Colégio São Domingos, no bairro de Perdizes-SP, no último dia 5 de maio, Costa Senna conta um pouco mais da sua trajetória, da sala de aula dentro do cordel e dessa literatura em São Paulo.

Estudante da Colégio São Domingos em apresentação de Costa Senna.

A: Como você começou a fazer cordel?

CS: O primeiro contato que tive com o mundo da cultura popular foi quando assisti Bumba meu Boi, no interior do Ceará. Isso aconteceu há muito tempo, eu ainda era criança. Depois disso, a poesia começou a despertar em mim. Eu só fui escrever mesmo os cordéis no começo da década de oitenta, mas eles já estavam muito antes dentro de mim: você começa a sentir que as rimas vão florando dentro de você.

A: Isso foi em Fortaleza?

CS: É, em Fortaleza, sim.

A: E, antes disso, você fazia o quê?

CS: Eu sempre trabalhei com arte. Trabalhei muito pouco na vida, assim sabe? Trabalhei com teatro — eu sou ator — já apresentei Barrela, Deus lhe Pague, Gota de Sangue, trabalhei em várias peças de teatro. Mas eu comecei a ver que o cordel me dava uma facilidade a mais… Ele tem muito ritmo, muita musicalidade, sabe? Nessa época, acabei vindo pra São Paulo pra trabalhar com teatro, mas fiquei com o cordel e com o humor, porque eu também era humorista, talvez eu ainda seja ainda. Agora, eu tenho feito esse tipo de trabalho, que mistura música com literatura de cordel e com um pouco de contação de histórias. Os meus cordéis são bem direcionados à educação, dificilmente eu escrevo um cordel com temas diferenciados. Até tenho alguns, tenho vários… Mas, geralmente, eu escrevo pensando em como direcionar aquele cordel pra dentro da sala de aula, pro mundo do professor e da professora.

A: E como surgiu a ideia de se voltar para a educação?

CS: Foi a própria necessidade. Como eu não trabalhava com outra coisa, no começo da década de oitenta, chegou uma hora que a família não podia mais me sustentar. Então, tive a ideia de escrever cordéis que fossem voltados para a sala de aula para facilitar a chegada do cordel ao professor e à professora. Eu acredito que fui a primeira pessoa a fazer cordel direcionado à sala de aula no Brasil. Pode até ter tido outro cordelista, mas eu não lembro. Passei por várias escolas escrevendo sobre matemática, língua portuguesa, história do Brasil, história geral… Existe? Talvez exista [outro cordelista], mas eu não lembro. Muita gente já levou o cordel pra escola, mas o cordel convencional. Foi a necessidade que me fez pensar nisso. Eu tô rouco hoje, desculpe.

A: E o que te inspira a escrever cordéis sobre a educação e cordéis com outros temas? Como é o processo criativo?

CS: O cordel tem uma facilidade para ser feito, porque quando a ideia vem, ele começa a se construir na sua cabeça. Você anda, faz outra coisa e, a ideia vai se construindo. Quando menos você espera, já tem duas ou três estrofes prontas. E, aí, você fica quase na obrigação de sentar para concluir.

A: Mas você fica com ele na cabeça e depois passa para o papel ou primeiro você coloca ideias no papel e começa a construir?

CS: Não, é na íntegra. A ideia fica na sua cabeça e, você vai construindo: dentro do carro, do avião, do táxi. Você fica com o papel na mão e escreve, registrando a forma que o cordel te passa pra você fazê-lo. É como uma criança dentro do ventre, sabe? Ele vai se construindo, vai se construindo. Alguns poetas fazem um cordel todinho sem escrever. Para não esquecer, a melhor coisa que eu aconselho é escrever: a primeira estrofe, a segunda, a terceira… Vai fazendo, vai fazendo, até você colocá-lo todo no papel, entendeu? É mais ou menos assim que eu vejo.

A: E o que mais te influencia? O que te move para fazer o cordel?

CS: Eu gosto muito da musicalidade dele, tem muito ritmo. Se você sabe usar o cordel, ele pode ser vários produtos ao mesmo tempo. Pode ser música, pode ser contado como uma contação de histórias, pode ser declamado. Você pode selecionar as melhores estrofes e transformar em uma música, sabe? Ele está próximo de um xote, está próximo de um baião, o cordel pode ser puxado para todas essas musicalidades com muita facilidade. Já a poesia de versos brancos não, né?

Estudantes do Colégio São Domingos em apresentação de Costa Senna.

Em meio à entrevista, acontece uma conversa paralela com uma menina que assistiu à apresentação de Costa Senna na escola e quer comprar um disco dele. Depois da venda do CD, a mãe da garota pergunta de onde ele é, o cordelista responde:

CS: Eu sou de Fortaleza, mas já moro aqui há muito tempo, recebi título de cidadão paulistano em 2008. Já nem me considero… Talvez eu até volte um dia [para Fortaleza], mas eu já estou muito acostumado com São Paulo, sou muito querido aqui. Sou muito solicitado, tenho um círculo de amizades muito grande.

Costa Senna retorna à entrevista e pergunta:

CS: Vamos nós?

A: Qual é o cordel que você mais gosta e que tem mais orgulho de ter feito?

CS: O cordel que eu mais declamo é o “Viagem por São Paulo”. Depois dele, eu declamo muito “Os atropelos do português”. Um cordel que eu sempre trabalho com as crianças é o “Criança, que bicho é esse?”. Este “Os atropelos do português” é um cordel muito procurado dentro da educação. Muito, muito procurado. Eu tenho cordéis sobre vários temas: sobre saúde, sobre misticismo, sobre Raul Seixas, sobre Lampião…

A: Mas o cordel que você mais gosta é o sobre São Paulo?

CS: É o de São Paulo. É o que eu mais declamo, né? Acredito que seja o que mais gosto. É difícil saber qual você gosta mais, mas acho que de tanto declamar, eu aprendi a gostar mais dele. De tanto ficar declamando, declamando…

A: Por que você declama tanto esse cordel?

CS: É porque as pessoas que estão vendo não entendem como outra pessoa, no caso eu, conseguiu decorar o nome de todas as cidades da Grande São Paulo e, além delas, as paisagens, monumentos, bairros, ruas… É muita informação e isso chama a atenção de quem está na plateia. Você declama e a pessoa pensa “Como é que pode? Como é que pode?” Acho que é por isso. É também porque declamo para paulistas e paulistanos e eu acho que é legal você ter cordéis que tragam referências das coisas de São Paulo, não só sobre coisas do nordeste. Acho que é bem por aí.

A: O que você acha do cordel em São Paulo?

CS: O cordel de São Paulo, ele está muito forte, sabe? É ilusão achar que não tem cordel aqui. Porque tem vários cordelistas, tem a editora Luzeiro, a editora Cortez, que vende cordel [na Livraria Cortez]. Tem um grupo também, né? Eu sou um dos fundadores da “Caravana do Cordel”, que reúne Varneci Nascimento, João Gomes de Sá, Cacá Lopes, Pedro Monteiro, Marco Haurélio e outras pessoas, né? Cleusa Santo, que também é cordelista de São Paulo, Daniela Almeida, Nando Poeta, Assis Coimbra. O que acontece é que as pessoas colocaram na cabeça que só se encontra cordel no nordeste, mas não… Tem muito cordel em São Paulo. Muito, muito, muito. A maior editora de literatura de cordel do Brasil é aqui em São Paulo, na Praça da Árvore, a Luzeiro.

A: E estes cordelistas que estão em São Paulo são todos nordestinos ou não?

CS: Não, mas a maioria é. A maioria é nordestina, mas tem um que é de São Paulo, outra que é do Paraná. E talvez tenham outros que não são do nordeste. Já tem pessoas de São Paulo fazendo cordel mesmo.

A: E a Caravana do Cordel está com algum projeto agora?

CS: Eu não sei. Sou apenas um dos fundadores, mas não faço mais parte da Caravana. É uma questão de linha de trabalho. Eu tenho uma linha, sabe? Eles têm outra. Então, assim… Não dá. É um grupo que quer as coisas de um jeito, e eu gostaria de outro. Acabei pedindo pra sair, porque as minhas ideias não iam vigorar. Apesar disso, eu tenho uma música no meu CD sobre a Caravana no Cordel.

A: Quanto os CDs custam? Quinze?

CS: Eu vou vender por dez pra você, né? Acho que você precisa levar esse [mostra um dos CDs]. Eu te dou um cheque pré-datado. Porque tem a música Caravana do Cordel e, como você vai trabalhar com cordel, acho que você pode usar como fundo de alguma coisa… Você vai gostar. A Caravana é um grupo muito trabalhador, tem pessoas com muita capacidade, que são idealistas. É um pessoal de vanguarda. Mas eu achei melhor seguir meu trabalho, sabe? Muitas reuniões… Sabe como é grupo, né? O pessoal se reúne várias vezes e não chega a lugar nenhum… De repente, volta tudo lá pro começo da discussão… Eu não tenho muito tempo pra isso, as minhas decisões têm que ser tomadas com rapidez e postas em prática mais rápido ainda.

A: E você tem algum projeto pro futuro agora?

CS: Tenho. Eu quero terminar um trabalho que tenho sobre a Cleópatra. Eu adoro essa mulher, sabia? Quero fazer outro trabalho sobre a Marquesa de Santos. Tô preparando um CD com músicas voltadas pra educação. O CD vai se chamar “Nas asas da leitura”, que é o nome de um show meu. Tenho várias ideias na cabeça. Vai sair um livro meu agora, que você precisa adquirir. Ele chama “Cordéis que educam e transformam”, da Global Editora. E é isso.

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