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Eufra Modesto, o performático na Caravana

Eufra Modesto em apresentação da Caravana do Cordel.

Quem olha de longe para Eufra Modesto (Eufra de Eufraudísio) deve se sentir transportado para o cenário do sertão nordestino. Além do colete marrom de cangaceiro, Eufra usa chapéu e tem uma mecha de cabelo grisalho presa em rabo de cavalo. Ele é uma pessoa de caras e bocas, um contador de causos nascido na Bahia, mas que vive há 40 anos em São Paulo. Quando subiu ao palco naquele sábado ensolarado, ele perguntou o quanto antes: “O que vocês querem que eu faça? Olha, eu posso cantar duas músicas, contar dois causos e depois cantar outra música.” O público concordou e algumas pessoas da plateia pediram que ele contasse determinadas histórias. Então, ele disse:

“Combinado. Mas só vou cantar no palco, as histórias vou contar perto de vocês. Ultimamente tenho me incomodado muito com essa coisa de palco. Sinto que quando estou no mesmo nível do público, o olhar de vocês fica mais próximo. No palco, os olhares parecem distantes. Eu me apresento para ver esse olhar, para sentir o público. Outro dia, estava me apresentando no Sesi e o pessoal apagou as luzes da platéia.  Eu não conseguia ver ninguém. Parei a apresentação pela metade e pedi que acendessem a luz para eu enxergar as pessoas.”

Eufra cantou e tocou as músicas com o violão a tiracolo. O vozeirão e a afinação são muito impressionantes, é música boa mesmo. Depois, ele desceu do palco e começou a contar uma história politizada sobre candidaturas políticas. A história era ritmada e muito íntima do cordel. A cada personagem que imitava, fazia uma voz, um sotaque e um trejeito. A platéia adorou. Eufra contou mais dois causos e ninguém se cansou. Voltou ao palco e cantou “Leva eu sodade”, do Zé Ramalho. Lindíssima interpretação.

Eufra Modesto apresenta “O Candidato”

 

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